Há muito tempo que me apetecia ir passar um ou dois dias ao Porto. O meu marido, que é médico, dá consultas na Invicta, à sexta feira, pelo menos duas vezes por mês, e, no último fim-de-semana, decidi agarrar nas nossas filhas e ir ter com ele. Como ele tinha ido de carro no dia anterior, nós fomos as três de Alfa Pendular. Gosto sempre de viajar de comboio: é tranquilo e dá para ir trabalhando…
Chegadas à Campanhã já de noite, apanhámos um taxi (com um motorista hilariante que escrevia e recitava poesia) para o Intercontinental Palácio das Cardosas, para mim, o melhor hotel do Porto e um dos melhores de Portugal. Adoro lá ficar. Os quartos são ótimos, o pequeno almoço fantástico, e o serviço e a localização, imbatíveis. Mesmo.
Acordámos com um dia de sol magnífico. E como é bom abir a janela do quarto e ter a Praça dos Aliados aos pés…
Estava decidida a mostrar o Porto às minhas filhas, por isso o dia começou cedo. Depois do pequeno almoço, demos início ao nosso “tour” pelos Clérigos. Seguiu-se, como não podia deixar de ser, a livraria Lello. Atenção que hoje em dia paga-se para visitar a livraria, a menos que se compre um livro e aí a entrada é deduzida no preço. Foi o que aconteceu: a Rosa comprou um exemplar do Harry Potter, de quem é grande fã.
Saímos da Lello e entramos na A Vida Portuguesa, uns metros mais abaixo. Uma loja que vale sempre uma vista. Confesso que me perco nas memórias que quase todos aqueles artigos me trazem. E, mais uma vez, a Rosa pediu-me para lhe comprar uns óculos escuros. Como ela não é muito consumista, tem tido boas notas, e, last but not the least, eu tenho pouco tempo para ir com ela às compras, acedi. Nunca mais, ao longo do dia, os tirou! E ficou a parecer ainda mais adolescente do que já está…
A paragem seguinte foi no Majestic Café, um dos mais bonitos do mundo (só em Buenos Aires me lembro de ter visto cafés que lhe fazem concorrência). Como estava um dia lindo, sentamo-nos na esplanada a beber um sumo e a assistir à azáfama da baixa do Porto, num dia quase de Primavera. Não na temperatura, mas nas cores.
A fama do Porto como uma das melhores cidades da Europa é inteiramente merecida. A cidade está linda, fervilhante, cheia de turismo. Descemos do Majestic (sempre a pé) até à Rua das Flores, uma das mais badaladas pelas suas lojas características, os restaurantes, as esplanadas e os músicos que fazem da rua o seu palco. Alguns deles ótimos! Por ali nos perdemos por mais de uma hora. O Nuno, que entretanto já acabara as consultas, foi ao nosso encontro e estava, tal como nós, feliz por poder ser, por um dia, turista no Porto.
Decidimos seguir o conselho de um amigo e parar para almoçar na Taberna dos Mercadores, um restaurante pequeno (meio escondido!) mas com muito boas critícas. Almoçamos divinalmente. Vale mesmo a pena a visita! Mas é preciso marcar porque tem poucas mesas e enche num ápice. Fica numa rua escura e estreita (Rua dos Mercadores) que vai dar à Ribeira. A nossa próxima paragem…
Nunca tinha feito um passeio de barco pelo Douro e como turista que é turista no Porto não pode sair de lá sem ver as suas 6 pontes, aí fomos nós!
A bem da verdade, na minha opinião, as únicas que merecem mesmo ser admiradas ao pormenor são as mais antigas: a Ponte Luís I e a Ponte Maria Pia, a primeira assinada por Seyrig, um discípulo de Eiffel, e a segunda pelo próprio mestre Gustav Eiffel.
Mas o passeio no rio é imperdível e a única forma de ver as margens do Porto e de Gaia ao mesmo tempo. Por isso, se ainda não fez, aconselho. Só espero que tenha a sorte de ter um dia de sol, porque tudo brilha de outra maneira.
O dia ia longo, o cansaço também já se fazia sentir e nenhum de nós estava com vontade de regressar ao hotel a pé. Lembramo-nos dos Tuc Tuc, que tinhamos visto de manhã a passarem à porta do Palácio das Cardosas, e decidimos juntar o útil ao agradável: dar mais uma volta por ruas e ruelas onde só estes mini veículos entram e, no fim, o Tuc Tuc deixava-nos no hotel.
Foi uma boa escolha. O Ricardo (motorista) era 5 estrelas e acabámos por ir a alguns sitíos por onde ainda não tinhamos passado.
Chegamos ao hotel de alma lavada. Rendidos aos encantos da Invicta que merece cada minuto do nosso tempo. Mas, nesta altura, só tinhamos mesmo tempo para tomar um duche e voltar a sair para jantar…
Escolhemos ir jantar ao Rib Beef & Wine, o steakhouse do hotel Pestana Vintage Porto, e assim lá voltámos nós à Ribeira. O jantar valeu por isso: pela magia da Ribeira à noite… E pelo carpaccio, o melhor que comi em toda a minha vida! A sério. De resto, ficou aquém das expectativas. A carne podia (e devia!) ser melhor e o serviço é um pouco lento. Ah, é verdade: bebi uma caipiroska no bar, antes do jantar, que estava maravilhosa.
Mas o Porto está inundado de bons restaurantes onde quero ir. Fica para a próxima. Em breve, de certeza!
No dia seguinte tinhamos de voltar para Lisboa de manhã.
Tomamos o pequeno almoço no hotel (que, volto a dizer, é extraordinário!) e fizemo-nos à estrada.
Tinha prometido à minha amiga Cristina Avides Moreira (uma portuense de gema que, infelizmente, não estava no Porto) que não voltariamos sem antes irmos ao teleférico de Gaia. Diz ela, e com razão, que é a melhor vista da cidade Invicta que se pode ter.
O dia não estava tão bonito como o anterior, mas é, sem dúvida, um programa a fazer. Não fosse a minha filha Rosa ter pânico de alturas e teria sido ainda melhor…
Algumas destas fotos foram tiradas pelo meu marido (que não gosta de se ver em fotografias…), outras pelas minhas filhas, outras por mim. Mas a última que tirei, de iPhone em punho, (dentro do parque de estacionamento em Gaia) foi aquela que escolhi para destaque deste post! A da vista da Invicta aos quadradinhos. Porque sempre amei o Porto e as suas gentes, mas agora sinto-me “prisioneira”.







